segunda-feira, 7 de setembro de 2020

 Aprendendo sempre

Irmão Hugo Bruno Mombach, FSC (*)

África está erguendo grande Muralha Verde de árvores

Nos próximos anos haverá um muro gigante de árvores na borda do deserto do Sahel, que cortará o continente africano de ponta a ponta. O projeto envolve 20 nações, sendo que em 11 delas a “Grande Muralha Verde” será construída – ou plantada – ao longo de 8 mil quilômetros de comprimento e 15 quilômetros de largura.

O que é a Grande Muralha Verde?

Essa barreira natural, que irá cruzar o continente africano de Leste a Oeste, tem como grande objetivo minimizar os efeitos climáticos para as populações dos países. Até agora, já é possível ver alguns resultados muito positivos, como a reversão da desertificação de algumas regiões do continente africano.

“O objetivo é proporcionar alimentação, emprego e futuro para milhões de pessoas que vivem numa região que é linha de frente das mudanças climáticas”, explica o site oficial do projeto. “Quando estiver pronta, a Muralha Verde será a maior estrutura viva da Terra e uma nova maravilha do mundo”.

Construção em um dos lugares mais pobres da Terra

A região do Sahel é uma faixa que corta o continente africano de Leste a Oeste, afetando mais de uma dezena de países. O lugar fica logo abaixo do deserto do Saara e sofre muitos impactos ligados às mudanças climáticas e falta de recursos naturais. Tudo isso será convertido quando a construção estiver concluída.

Iniciada em 2007, a Grande Muralha Verde deverá custar o equivalente a R$ 25 bilhões. O dinheiro vem do Bando Mundial, da ONU e da União Africana, além de algumas instituições europeias também apoiarem financeiramente.

Fonte web: https://www.vix.com/pt/mundo/551266/rezepelasomalia-como-pessoas-comuns-estao-alertando-para-tragedia-pouco-falada?utm_source=next_article

(*) Irmão Hugo Bruno Mombach é religioso lassalista há 54 anos e jornalista profissional (Reg.4065 DRT/RS).

Publicada dia 14 de fevereiro de 2020.

 Aprendendo sempre 

Irmão Hugo Bruno Mombach, FSC (*)

Terço dos Homens prepara sua 12ª Romaria a Aparecida

O movimento já soma mais de 1,5 milhão de participantes nas paróquias de todo o Brasil.

Quem disse que homem não reza o Rosário? Pelo menos 78 mil pessoas provaram no ano passado que isso não é verdade. São solteiros, casados, pais de família, jovens, adultos, religiosos e leigos, que lotaram o Santuário Nacional de Aparecida para participar da 11ª Romaria dos Terço dos Homens em 2019.

Entre os próximos dias 14 e 16 de fevereiro o Santuário Nacional de Aparecida receberá a 12ª Romaria Nacional do Terço dos Homens, que este ano seguirá o tema “Terço dos Homens, fonte de todas as graças” e o lema “Confiantes como Maria”.

Ano passado o evento, que teve dois dias intensos de programação, reuniu mais de 70 mil homens, número que tem crescido a cada edição. Para 2020, os organizadores do evento esperam que o encontro congregue cerca de 80 mil homens de todo o Brasil. As paróquias de diversas regiões do país nas quais existem grupos do Terço do Homens (TH) estão organizando suas respectivas peregrinações até o Santuário de Aparecida, localizado no interior do Estado de São Paulo.

Um dos resultados positivos da Romaria do Terço dos Homens é o surgimento de grupos em diversos estados brasileiros. Segundo Dom Gil Antônio Moreira, arcebispo de Juiz de Fora/MG e bispo referencial para o Terço dos Homens, já são mais de um milhão e quinhentos mil homens rezando o terço.

Por conta do interesse cada vez maior no evento, o reitor do Santuário, Padre Eduardo Catalfo, anunciou, durante reunião com os coordenadores dos grupos de Terço dos Homens, que neste ano de 2020 haverá três dias de programação. Já o arcebispo Dom Gil Moreira afirmou: “O Terço dos Homens, que está acontecendo de maneira tão maravilhosa neste Brasil, é um movimento de iniciativa do laicato, com o apoio entusiasta do clero, dos bispos e diáconos da Igreja. O Terço dos Homens é uma bênção para a Igreja, uma bênção para a família”.

Dicas para começar grupo do Terço dos Homens em sua comunidade

A missão do Terço dos Homens é resgatar para o seio da Igreja de Cristo homens de todas as idades, pois a presença masculina na Igreja é imprescindível para a formação da família e de uma sociedade cristã. O Terço dos Homens é um exemplo de fé e devoção.

Além de nos conduzir para a oração, a oração do rosário nos leva a meditar sobre os principais mistérios da redenção que Cristo nos oferece. Com a meditação do mistério redentor, também lembramos Maria de Nazaré, que assumiu a maternidade divina fazendo a vontade de Deus, dando-nos o Salvador. Este foi o jeito que o Pai escolheu para nos dar seu único Filho.

Como montar um grupo de Terço dos Homens?

O Movimento Terço dos Homens é um dom do Espírito Santo para toda a Igreja. É um presente de Nossa Senhora para seus filhos que desejam seguir Jesus Cristo. E quem participa dele se torna dom e bênção para o mundo. O Santuário Nacional de Aparecida, confiado ao zelo apostólico dos Missionários Redentoristas desde 1894, têm 7 dicas para o bom êxito dessa experiência eclesial:

1.     Comunhão: O Grupo Terço dos Homens deve caminhar integrado na comunidade eclesial. Por isso, é importante que tenha o apoio do pároco ou do responsável pela comunidade. A reza do terço é uma porta aberta para a evangelização. Os fiéis devem participar ativamente da comunidade, da Eucaristia dominical e de outros momentos da Igreja.

2.    Organização: Organize o grupo e distribua as funções, fazendo com que todos trabalhem com o mesmo objetivo. É preciso que todos saibam com antecedência o dia, a hora e o local da reza do rosário.

3.    Coordenação: O grupo deve ter um coordenador, um secretário e, se for o caso, um tesoureiro. A coordenação deve favorecer a participação de todos e garantir a fraternidade no grupo.

4.    Distribuição: É importante distribuir as funções para uma maior e melhor participação dos presentes. Deve haver os encarregados para “animar” os cânticos, contemplar os mistérios, rezar as Ave-Marias… No final da oração, se achar conveniente, o grupo pode ler o Evangelho do dia e fazer breve reflexão do texto bíblico lido.

5.    Ambiente: Crie um ambiente propício para o momento de oração como, por exemplo, um pequeno altar com uma imagem de Nossa Senhora, velas, flores, etc.

6.    Piedade: Piedade e confiança em Deus são elementos essenciais para o crescimento na fé e no amor. Esse momento de encontro para a oração é bonito e muito importante. Quem reza tem intimidade com o Senhor, com a família e com toda a Igreja.

7.    Tempo: O tempo deve ser previsto e jamais ser alongado. Dentro de 40 minutos é possível realizar todo o trabalho do grupo. A boa administração do tempo é o segredo para a perseverança dos homens na oração.

(*) Irmão Hugo Bruno Mombach é religioso lassalista há 54 anos e jornalista profissional (Reg.4065 DRT/RS).

Publicada dia 07 de fevereiro de 2020.

Aprendendo sempre

Irmão Hugo Bruno Mombach, FSC (*)

Papa Francisco convoca Pacto Educativo Global para maio

Em meados de dezembro do ano passado o secretário da Congregação para a Educação Católica, dom Vincenzo Zani, apresentou em Roma a todos os embaixadores junto à Santa Sé a mensagem do Papa Francisco para o lançamento do Pacto Global pela Educação. O arcebispo traçou um percurso de preparação e aproximação, com os representantes diplomáticos, para o grande evento previsto para maio deste ano.

A iniciativa se insere no percurso traçado desde o Concílio Vaticano II até hoje no que diz respeito à educação e vê no Papa Francisco o Pontífice que sublinha – talvez bem mais que todos os outros – o aspecto educacional como um instrumento importante para formar as gerações futuras, destacando o conceito de “pacto educacional”, com o objetivo de criar sinergias entre todas as pessoas que trabalham nos vários campos da vida social, civil, política e econômica, para investir as melhores energias em favor das gerações futuras.

O motivo que levou o Papa a assumir essa iniciativa foi porque ele recebeu vários pedidos e perguntas – não somente de ambientes cristãos católicos, mas também de não cristãos e não católicos – solicitando ao Santo Padre para promover um momento oficial mundial a fim de chamar a atenção para esse assunto. Nesse sentido, antes de falar da centralidade da pessoa, o Papa Francisco em sua mensagem introduz outro conceito, ao citar um ditado africano que afirma: “Para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”. Assim, ele sublinha ainda mais a necessidade dessa sinergia, da aliança entre todos, com todos os instrumentos possíveis, ou seja, com percursos educacionais formais e informais. Não há somente a escola, não há somente a universidade. Existem muitos aspectos na vida de uma pessoa que podem ser conjugados em chave educacional.

Nesse pacto educacional deve haver uma aliança entre família e escola e entre família e educadores, para encontrar um âmbito comum de colonizações ideológicas que crie a uma pessoa humana capaz de enfrentar os desafios de amanhã. E o Papa Francisco diz isso claramente: “Primeiro uma aliança entre todos as componentes da pessoa, para ajudar a pessoa a se integrar em si mesma; uma educação integral entre todas as dimensões da pessoa, para depois então ser ajudada a viver a relação entre estudo e vida, e também entre gerações”. Portanto, isso requer um grande acordo entre professores, alunos, famílias e sociedade com todas as suas expressões. A família em primeiro lugar, mas também todas as outras expressões da vida social, ou seja, as expressões intelectuais, científicas, artísticas, esportivas, políticas e empresariais. Nesse sentido, todos são destinatários do encontro de 14 de maio: todas as expressões da vida social e civil, os prêmios Nobel da Paz, os representantes das religiões e os representantes ecumênicos. Devemos colocar para fora tudo o que há de positivo, e é muito, e já existe no mundo, para dar essa conotação estratégica e positiva do investimento das melhores energias.

Existe um ponto comum a partir do qual dar impulso? A indagação foi do Vatican News. Dom Zani respondeu que “o dia 14 de maio não é o ponto de chegada, e sim o ponto de partida. E nos meses anteriores haverá 13 conferências, seminários e fóruns de preparação para aprofundar as várias facetas da educação e chegar a 14 de maio com um relatório a ser enviado aos representantes das várias expressões da vida social, civil, política e religiosa e, a partir daí, começar com os objetivos, que serão os compromissos sucessivos”. E acrescentou: “Queremos compartilhar esse momento com os embaixadores que têm ligação com os diferentes países do mundo para ilustrar o objetivo e também dar-lhes algumas indicações. Já foram constituídos comitês na América Latina e na África. Essa mensagem já chegou ao seu destino e temos uma onda que retorna muito, muito interessante. Com os embaixadores, queremos discutir juntos”.

No Brasil, tal como em muitos outros países do mundo, o assunto também está merecendo grande atenção por parte da Igreja Católica. Nesse sentido, as diretorias da CNBB, CRB e ANEC estão trabalhando em conjunto no objetivo de “renovar a paixão por uma educação alicerçada nos princípios do humanismo solidário em prol das futuras gerações”, atendendo a convocação do Papa Francisco para celebrar o “Pacto Educativo Global”, a ser realizado em Roma em maio de 2020. Este Pacto se insere nas comemorações dos cinco anos da Encíclica “Laudato sí” e da assinatura do documento sobre Fraternidade Humana, em visita aos países unidos dos Emirados Árabes, que propõe gerar uma mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.

A contínua transformação do mundo contemporâneo, tanto em nível cultural quanto antropológico, exige uma educação que possibilite à pessoa humana estabelecer relações fraternas e sempre abertas ao outro. A imagem tomada pelo Papa do provérbio africano – “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira” –, expressa bem a necessidade de renovar o compromisso de toda sociedade, a fim de que as futuras gerações sejam educadas para o diálogo e a fraternidade.

Neste sentido, a Igreja no Brasil, por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação da CNBB, a Associação Nacional de Educação Católica (ANEC) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) propõem um caminho de vivência e partilha em preparação à celebração desse “Pacto Educativo Global”. Para que esse tempo seja fecundo, são incentivadas ações propositivas e partilhas de experiências que possam aprofundar a dimensão antropológica, comunicativa, cultural, econômica, geracional, inter-religiosa, pedagógica e social do Pacto Global.

O lançamento nacional do Pacto acontecerá em Brasília, na sede da CNBB, no dia 31 de janeiro e no 3º Fórum Nacional de Agentes de Pastoral e 6º Fórum Nacional de Educação Básica da ANEC, no dia 16 de abril 2020. Além disso, outras atividades serão organizadas nos Regionais no decorrer do ano, e um guia de orientação será publicado no final de janeiro 2020. Com isso, cada escola, universidade e comunidade é chamada a promover momentos de estudo e reflexão sobre a proposta do Pacto Educativo Global.

O chamado a reconstruir o Pacto Educativo Global é um apelo a cada pessoa para que se torne “protagonista desta aliança, assumindo o compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário, que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.

Com informações da CRB Nacional: http://crbnacional.org.br/o-papa-francisco-convoca-a-celebracao-do-pacto-educativo-global/ e http://crbnacional.org.br/cnbb-anec-e-crb-lancam-o-pacto-educativo-global-em-brasilia/

(*) Irmão Hugo Bruno Mombach é religioso lassalista há 54 anos e jornalista profissional (Reg.4065 DRT/RS).

Publicada dia 31 de janeiro de 2020.

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Irmão Hugo Bruno Mombach, FSC (*)

24º Dia Mundial da Vida Consagrada com Papa Francisco

Em janeiro de 1997, o então Papa João Paulo II instituiu o Dia Mundial da Vida Consagrada, a ser celebrado na data em que a Igreja festeja a Apresentação do Senhor ao Templo, dia 2 de fevereiro. “A vida consagrada profetiza valores que são perenes na sociedade, mas que precisam ser recuperados”, disse ao Vatican News no passado dia 10 de janeiro o Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o cardeal brasileiro João Braz de Aviz.

Na festa litúrgica da Apresentação de Jesus no Templo, celebra-se todos os anos o Dia Mundial da Vida Consagrada. Em Roma, neste ano de 2020, a 24ª edição vai ser celebrada no dia 1º de fevereiro, sábado, com a Missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro às 17h, horário italiano.

Em um comunicado, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica enfatiza que será um dia de oração pelas vocações e de ação de graças ao Senhor pelo dom de tantos consagrados e consagradas que, em terras de missão e no trabalho cotidiano, vivendo tantas vezes em contextos difíceis, cuidam dos últimos e mais vulneráveis, testemunhando e anunciando a presença de Deus no mundo.

No ano passado, nessa festa, o Papa Francisco afirmou que “a vida consagrada desabrocha e floresce na Igreja, mas no caso de se isolar, murcha”. Durante sua homilia, o pontífice enfatizou: A vida consagrada não é sobrevivência, é vida nova. É encontro vivo com o Senhor no seu povo. É chamado à obediência fiel de cada dia e às surpresas inéditas do Espírito. É visão daquilo que importa abraçar para ter a alegria: Jesus”.

Por ocasião do Dia Mundial da Vida Consagrada, todos os consagrados renovam seu compromisso de serem “luz do mundo e sal da terra”, de trabalhar pela paz e pela fraternidade, acolhendo o convite do Pontífice para serem “homens e mulheres que iluminam o futuro”, diz o comunicado.

A celebração na Basílica de São Pedro também será enriquecida pela presença de cerca de 300 religiosas contemplativas que, de 31 de janeiro a 1º de fevereiro, se encontrarão em Roma convocadas pelo Dicastério presidido pelo Cardeal Braz de Aviz para refletir sobre o tema da gestão dos bens.

Fonte web: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-01/xxiv-dia-mundial-da-vida-consagrada.html?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=NewsletterVN-PT

Renovação – Como se pode deduzir facilmente da notícia acima, os membros da Vida Religiosa Consagrada são incentivados e até convocados pela Igreja, na pessoa do Papa Francisco, a se tornarem cada vez mais visíveis na Igreja e na sociedade. E nesse processo de caminhada e renovação constante das/dos Religiosos/as precisa estar cada vez mais presente um grande esforço: o esforço e a disposição de se aproximarem das pessoas, especialmente das mais vulneráveis e distantes do conhecimento do Evangelho de Jesus Cristo e de alguma prática religiosa.

(*) Irmão Hugo Bruno Mombach é religioso lassalista há 54 anos e jornalista profissional (Reg.4065 DRT/RS)

Publicada dia 24 de janeiro de 2020

Aprendendo sempre

Irmão Hugo Bruno Mombach, FSC (*)

Convite aceito para ser colunista do jornal Tribuna Livre

Como resultado da visita que fiz aos primos Cláudio e Jussara Feiden nos primeiros dias de janeiro ao escritório da Imobiliária Atlanta Bela Vista, além de outras frentes de atuação, também responsável pelo semanário Tribuna Livre, veio o convite para colaborar no jornal com uma coluna semanal ou quinzenal. Em resposta ao Cláudio, falei: “Você se antecipou. Eu ia lhe perguntar se eu poderia escrever no jornal onde sua irmã é diretora. Convite aceito”.

Então, “bora lá”, como falam os jovens dos novos tempos. O título geral está lá no alto da coluna, que estou retomando, pois a criei e mantive nas duas últimas décadas do século passado em dois jornais semanais, um em Carazinho/RS (Diário da Manhã) e outro em Medianeira/PR (Mensageiro).

Ao dar título à minha coluna – “Aprendendo sempre” – me inspirei num ditado popular que meu pai José Augusto Mombach repetia seguidas vezes: “Man wird alt wie eine Kuh, aber lernt immer noch dazu” (A gente envelhece como uma vaca, mas sempre aprende algo novo). E nos dias atuais esse dito se torna cada dia mais atual, real e verdadeiro.

Renovação é a palavra de ordem para a vida consagrada

http://crbnacional.org.br/wp-content/uploads/2020/01/DOM-jO%C3%83O-300x168.jpeg“Renovação: esta é a palavra de ordem quando o assunto é a vida consagrada”

(Cardeal brasileiro em Roma para o Vatican News).

Na 1ª semana de janeiro corrente o Cardeal João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica no Vaticano e Arcebispo-emérito de Brasília, fez um balanço do ano que passou, anunciando três grandes eventos para 2020: a) um encontro mundial sobre o diálogo entre os carismas históricos e atuais; b) um congresso internacional em Ávila, na Espanha, para os Institutos Seculares; c) e um encontro mundial sobre a Ordem das Virgens. Em entrevista ao Vatican news, o Cardeal Braz de Aviz afirmou: “Nós estamos num momento da vida consagrada de repensamento: os carismas dados à Igreja são dons, têm um valor e um sentido em si muito grande, seja os carismas históricos, seja os novos carismas que estão chegando”.

Ao referir-se aos carismas históricos, Braz de Aviz sinalizou que “todo o problema é a sua renovação. Hoje, a questão da abertura ao diálogo com a cultura deste momento é fundamental, mas sem perder neste diálogo os valores típicos da vida consagrada: o seguimento de Cristo – ponto fundamental da formação na vida consagrada –, o seguimento do carisma dos nossos fundadores, e esta capacidade constante de se renovar, dialogando com a cultura do momento”.

E como é que se faz ou se precisa fazer isso? – É nossa pergunta imediata e prática. Braz Aviz explica: “O fundador viveu num outro momento histórico, que agora nós temos que atualizar. Isto é feito através da atualização das constituições, dos novos diretórios para a vida consagrada, feito sempre à luz do Concílio Vaticano II e do magistério atual. Este caminho os carismas antigos precisam fazer. Os carismas novos têm muito mais facilidade, seja em vocações, seja em presença no mundo de hoje; mas o que lhes falta muitas vezes é uma consolidação da experiência. Há uma experiência muito jovem, nova, que precisa ser consolidada; porque, se ela não tiver as características verdadeiramente da vida consagrada, ela não vai subsistir, não vai ter força para seguir em frente”.

E qual é o terceiro ponto que Vossa Eminência anunciou no começo da sua fala? Perguntamos nós junto com o jornalista do Vatican News. O Cardeal Braz Aviz responde: “É o diálogo entre essas duas realidades. Penso que tudo isso está crescendo, mas é preciso que a gente se abra para isso, crie a mentalidade do homem universal, da mulher universal que dialoga, que abre, que compreende, não em vista de ter mais espaço para o seu carisma, mas em vista de um aprofundamento da própria experiência, seja espiritual, seja carismática. Eu acho que este processo está acontecendo devagar na Igreja. E num processo de maior transparência, de maior testemunho, de um testemunho mais comunitário”.

Hemorragia da vida consagrada

Finalizando sua fala, Dom João Aviz manifestou também a preocupação de seu Dicastério com o alto número de abandonos na vida consagrada que se verifica em todas as congregações religiosas.

“Onde está o problema, por que não há esta fidelidade que continua até o final, que pára no meio da consagração? Estamos preparando inclusive um documento nesta direção para que a gente possa aprofundar. O Papa chama este fenômeno, que é bastante amplo, de ‘hemorragia’. Não é bom, é algo que não está bem centralizado e precisamos ver suas causas e encontrar remédios”.

Pra começar, seria essa minha provocação na retomada da minha coluna nesse jornal da minha terra natal. Nas próximas colunas podemos continuar a conversa, aplicando a temática a outras realidades de nossas instituições sociais, políticas, religiosas e educacionais. É pano pra muita manga!

(*) Irmão Hugo Bruno Mombach é religioso lassalista há 54 anos e jornalista profissional (Reg.4065 DRT/RS)

Publicada dia 17 de janeiro de 2020