sábado, 10 de dezembro de 2016

ANO A – Terceiro Domingo do Advento – dias 11 e 12/11/2016

Preparemos o Natal de Jesus permanecendo firmes na Esperança!
No terceiro domingo da caminhada ao encontro do Deus que vem, a santa Palavra nos pede firmeza. São Tiago insiste: “Ficai firmes até a vinda do Senhor... Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor esta próxima!” Trata-se de esperar com fervor e de celebrar com júbilo os pequenos e sutis, mas também promissores, sinais de vida e de mudança escondidos nas franjas da história, nos clamores dos pobres e nas feridas dos místicos e dos profetas. E isso significa também não se escandalizar com as demoras de Deus e com os meios frágeis que ele escolhe para se manifestar.
A crise e o escândalo diante dos sinais frágeis e aparentemente impotentes de Deus se aninhou até no coração do profeta João Batista e dos discípulos de Jesus. Estando na prisão, o Profeta que batizava recebe notícias sobre a ação de Jesus de Nazaré, daquele sobre quem ele vira descer o Espírito de Deus e de quem esperava ações cortantes como a do machado na raiz das arvores estéreis e a do fogo na palha que não deu frutos. Mas, por mais que esperasse notícias de gestos que mostrassem a justiça de Deus, o Profeta do Jordão só ouvia falar de perdão, acolhida e compaixão solidarias. Seria esse o Messias prometido pelos profetas e esperado ansiosamente pelo povo, ou a espera deveria continuar?
Também nós, quando olhamos para aquilo que já é passado, ou quando voltamos nossa atenção para os frágeis e ambíguos e sinais que a Igreja realiza hoje, perguntamo-nos: é essa a comunidade a quem Jesus escolheu e confiou sua missão? É ela Sal da terra e Luz do mundo? E quando contemplamos o mundo, palco de guerras intermináveis, de violências insuportáveis, de rapinas incomparáveis e de dominações injustificáveis, perguntamo-nos onde está a força do fermento e da pequena semente do Reino de Deus, que Jesus anunciou estar próximo e em ação no meio de nós. O que podemos continuar esperando?
São Tiago vem em nosso auxilio, convidando-nos a aprender com os agricultores e com os profetas, nossos mestres. Dos agricultores, ele destaca a espera firme e sem desânimo da chuva sazonal que sempre vem, mesmo quando atrasa, e garante os frutos. Dos profetas, ele sublinha a capacidade de assumir o sofrimento por falar com firmeza em nome do Senhor e interpelar o povo à fidelidade à aliança, ou seja: à solidariedade com os estrangeiros, órfãos e viúvas, os grupos sociais mais vulneráveis do tempo deles. Portanto, os profetas são modelos de uma espera ativa, engajada e sempre arriscada.
Jesus responde às dúvidas do profeta João, e de todos aqueles que não escondem a frustração diante dos sinais pouco portentosos e merecedores de crédito que realiza, chamando a atenção para o significado eloquente e para a força transformadora que neles se esconde. Jesus convida a perceber os cegos recuperando a vista, os paralíticos voltando a caminhar, os leprosos sendo reinseridos na convivência social, os surdos ouvindo, os mortos voltando a viver e os pobres recebendo boas notícias. Isso não é pouco, embora seja apenas o sinal daquilo que está por vir! Passemos, pois, do escândalo ao júbilo! 
Por fim, Jesus aproveita a ocasião para chamar a atenção dos discípulos para o testemunho profético de João. Sua atitude firme e corajosa o levou à prisão, o que não deixa de ser sinal de fragilidade. Aliás, ele viveu assim sua missão: como um caniço agitado pelo vento, como um homem que se vestia modestamente, como um verdadeiro e grande profeta que aceitou ser enviado à frente para preparar caminhos. Também dele, como dos profetas e profetizas do nosso tempo, aprendemos a permanecer firmes e a sofrer as consequências de cultivarmos Sonhos que a história não consegue dar à luz...
Em meio a muitas incertezas, algumas coisas já estão muito claras: Aquele que esperamos não é o ‘bom velhinho’, promotor de vendas e entregador de presentes; o Paraíso que buscamos não está localizado no interior dos shoppings centers; e o Governo corrupto, que se instalou em Brasília, com seus pacotes de maldades, não fazem parte dos sinais da bondade de Deus. Diante deles, como os profetas, precisamos permanecer firmes, sem nos importar com as saraivadas de acusações que eles lançam contra nós. Em nome de Jesus, amigo dos pobres e vítima das maldades de Herodes, não podemos nos calar!
Deus de bondade, que vês o teu povo perdendo o sono e a saúde diante de governos que lhe dão as costas, impõem pesados fardos e convocam a pagar uma conta que não é deles, ajuda-nos a permanecer firmes ao lado do povo, a confiar na força dos pequenos e a denunciar o cinismo e a violência dos prepotentes. Tu sabes que este povo toca a vida mesmo sem ter com quem contar, e espera e prepara com fervor o Natal do Teu Filho. Por isso, concede-lhe também a graça de chegar às alegrias da libertação profunda e verdadeira, mesmo que frágil, e celebrá-la sempre com intenso jubilo e graciosa fraternidade. Assim seja! Amém!
Itacir Brassiani msf

(Profecia de Isaías 35,1-10 * Salmo 145 (146) * Carta de São Tiago 5,7-10 * Evangelho de São Mateus 11,2-11)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Bonita fala de Madre Teresa de Calcutá a um jornalista italiano

Desejo voltar para casa
Terça-Feira, 6 de Setembro de 2011
Dom Murilo S. R. Krieger, scj, arcebispo de São Salvador da Bahia-BA
A Cidade de Salvador conta com duas comunidades das Irmãs Missionárias da Caridade, popularmente conhecidas com o nome de Irmãs de Madre Teresa de Calcutá. Como em muitos outros lugares do mundo, também aqui elas se dedicam aos mais pobres. Visitando-as, pude perceber sua alegria e simplicidade, cuja fonte é o desejo de saciar a sede que Cristo manifestou no Calvário. Sabem que aquela sede era, acima de tudo, de almas. Jesus não queria que ninguém se perdesse. Sabem, também, que só o amor pode transformar o mundo. Aprenderam isso no Evangelho; aprenderam isso com o testemunho dado por sua mãe e mestra Teresa. As visitas que fiz a essas irmãs me fizeram lembrar o depoimento de um jornalista italiano, Renzo Allegri, dado enquanto Madre Teresa ainda estava viva.
Por quase trinta anos esse jornalista viajou pelo mundo todo. Encontrou-se com professores universitários, com santos, assassinos, chefes de estado, criminosos, artistas, prêmios Nobel etc. Encontrou-se, também, e várias vezes, com Madre Teresa. Chegou a viajar com ela. Em uma dessas viagens, mantiveram uma conversa que o marcou profundamente.
Era o ano de 1986. Madre Teresa tinha sido internada várias vezes em hospitais, por problemas do coração, e submetida a intervenções cirúrgicas delicadas. Certo dia, o jornalista pediu-lhe que ela lhe falasse de suas atividades na Índia e de sua congregação que estava se expandindo pelo mundo inteiro. A religiosa se mostrou cheia de energia e decidida a continuar viajando pelo mundo, para visitar e animar as comunidades que fundara. Tendo em vista a fragilidade de sua saúde, o jornalista lhe perguntou, de repente: “Madre, a senhora tem medo de morrer?"
Madre Teresa olhou-o nos olhos por alguns instantes. Talvez não esperasse aquela pergunta. De repente, ela lhe perguntou: “Onde o senhor mora?” Ele lhe respondeu: “Em Milão”. “Quando voltará para a sua casa?”, perguntou-lhe a madre. “Espero voltar hoje mesmo, à noite. Gostaria de tomar o último avião e assim amanhã, que é sábado, poderei estar com minha família.” Madre Teresa, então, comentou: “Vejo que o senhor está feliz de voltar para sua casa e poder ficar com sua família”. “Sim”, disse-lhe o jornalista. E completou, tentando justificar seu entusiasmo: “Faz quase uma semana que estou viajando por aí”. “Muito bem”, acrescentou a religiosa. “Está certo que o senhor esteja contente. Vai rever sua esposa, suas crianças, seus entes queridos, sua casa. É justo que seja assim.” Ficou alguns instantes em silêncio, e prosseguiu: “Pois bem, eu estaria contente como o senhor, se pudesse dizer que esta tarde vou morrer. Morrendo, eu iria também para minha casa, iria ao paraíso, iria ver Jesus. Eu consagrei minha vida a Jesus. Tornando-me religiosa, fiquei sendo a esposa de Jesus. Veja, tenho também a aliança, como as mulheres casadas. Mas estou casada com Jesus. Tudo que faço aqui, nesta terra, faço-o por amor a Ele. Portanto, morrendo, voltaria para casa, para meu esposo. Além disso, lá no paraíso encontraria também todos os meus entes queridos. Encontraria milhares de pessoas que morreram em meus braços. Já faz mais de quarenta anos que dedico minha vida aos doentes e moribundos. Eu e minhas irmãs recolhemos pelas estradas, sobretudo na Índia, milhares e milhares de pessoas no fim da vida. Nós as levamos para nossas casas e as ajudamos a morrer serenamente. Muitas daquelas pessoas morreram em meus braços, enquanto eu sorria para elas e acariciava seus semblantes moribundos. Pois bem, quando eu morrer, irei ver todas essas pessoas. Estão lá me esperando. Eu as amei naqueles últimos momentos difíceis e continuo querendo-lhes bem na lembrança. Quem sabe como vão me festejar quando nos revermos? Como posso ter medo de morrer? Eu desejo a morte e a espero, porque finalmente me permitirá voltar para casa.”
O jornalista confessou nunca ter ouvido Madre Teresa de Calcutá falar tanto e com tanto entusiasmo. Ela, geralmente, era sintética nas respostas. Naquela ocasião, para responder à sua pergunta, tinha feito um autêntico discurso. Um claro e contundente discurso que dá o que pensar.
Pastoral da Comunicação: pascom@paroquiasantoafonso.org.br

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Como vivem as pessoas simples em Moçambique


Admiração e assombro ao chegar a Guiúa
Num olhar desarmado, encontra-se uma indumentária simples e modesta que esconde algo mais. É o moçambicano que recebe, que sorri, como se vivesse sempre no corpo de uma criança e que acolhe estranhos como irmãos.
O brilho nos olhos e a espontaneidade são uma constante que descreve a aparência humilde num interior profundo que, mesmo repleto de cicatrizes e esculpido pelas heranças coloniais, ainda abraça o desconhecido e o recebe de braços abertos. Seria ousado dizer que entramos no coração da população da mesma maneira que ela entra em nosso coração. Essa confiança é uma luta que vamos travando diariamente, à espera, talvez, de tocar alguém no coração da mesma maneira que eles tocam no nosso.
Aqui a religião, seja ela qual for, tem outra cor, outro sentido que se foi perdendo na Europa moderna e globalizada. Mais do que os dogmas ou crenças, a palavra de Deus toca o ser humano na linguagem que ele percebe, que ele recebe sem vocabulários cuidados e que interioriza, conduzindo a uma filosofia de vida e a refletir os valores que retira dos credos que professa.
África não precisa de coisas caras ou tecnologias mais avançadas para ser feliz. O consumismo que oferece alegrias efêmeras nos continentes de “primeiro mundo” não faz falta aqui. África precisa, sim, de viver mais, de ter a longevidade para aspirar a algo mais, para ter um sorriso durante mais tempo e de chorar menos o fardo da mortalidade. Acabar com os “pensos rápidos” e tratar a enfermidade como se fosse ela mesma nossa. Pensarmos que tudo aqui é mais vagaroso é fruto do esquecimento do sabor de viver duma forma em que o tempo pára e tudo se desfruta em câmara lenta.
A beleza natural envolve-nos em todos os olhares, em todos os sítios em que paramos. Desde a imensidão das palmeiras e do mar imenso aos sorrisos naturais e espontâneos das crianças que caminham de pés descalços na terra vermelha. Vir à África é reaprender a viver, é voltar a nascer, é ver com o coração. Aqui as palavras do “principezinho” traduzidas em tantas línguas têm o sentido que procuramos a vida inteira: “Só se vê bem com o coração; “o essencial é invisível aos olhos”.
Fonte: http://www.paroquiasantoafonso.org.br